Gestão e Marketing Esportivo

por João Henrique Areias

Em um mercado competitivo, somente as empresas que gozam de credibilidade junto a opinião pública e a imprensa sobreviverá.

Vejamos, alguém aqui consumiria um produto de uma empresa sabendo previamente que ela destrói o meio ambiente e faz teste em animais (hoje é possível testar cosméticos sem adotar esta prática), creio que a maioria drirá que não consumiria produtos desta empresa. Outro exemplo, alguém teria conta em uma banco sabendo que tal instituição falsifica seus balanços financeiros? Creio que não.

Então, também creio, que poucas empresas queiram assimilar suas marcas a clubes em que não se sabe para onde vai o dinheiro e/ ou é gasto de forma irresponsável.

Por isso, captar recursos e ir atrás de patrocinadores não resolverá a crise financeira dos clubes. Até porque os clubes recebem investimentos. Vejamos, o Palmeiras teve a parceria com a Parmalat, acabou a parceria e o clube foi rebaixado. O Corinthians teve parceria com Hicks e com a MSI e terminou rebaixado, o Vasco idem etc.

Então, a solução não é investimento em marketing e captação de recursos. Até porque, patrocínio é uma relação com prazo de validade. O foco deve ser costurar parcerias duradouras, promover relacionamento onde os pares compartilhem metas e objetivos, como em um casamento. Para isso é necessário credibilidade.

A área de conhecimento que cuida de credibilida são as Relações Públicas e não o marketing, que por definição deve "descobrir as necessidades e satisfazer os desejos dos consumidores". E mais, são as Relações Públicas responsáveis pelo gerenciamento de crises. E isto, não falta no futebol.

Então, pergunto: Para vocês, até que ponto a credibilidade influencia na gestão esportiva?

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Respostas a este tópico

Olá Rodrigo, tudo bem?

A partir da semana que vem o F&N terá várias novidades, incluindo quadros novos.

Um deles será um espaço para o "post do leitor".

Se você permitir, gostaria de usar seu texto.

Abs,
Marcos Silveira
Pode usar sim, Marcos. Mas gostaria de saber sua opinião sobre o tema. O debate é fundamental.

Abços
Legal Rodrigo!
Na semanaa que vem então já devo colocar o seu texto no blog.

A minha opinião é de que credibilidade é essencial em qualquer área de atividade. E no futebol torna-se ainda mais imprescindível pela falta de credibilidade vigente na maioria dos clubes e federações.

Achei interessante você mencionar a importância da área de Relações Públicas. Hoje em dia todo mundo generaliza e fala em Marketing, mas a questão de comunicação fica em segundo plano.

Os clubes, principalmente, se contentam em ter um assessor de imprensa que praticamente só organiza as entrevistas coletivas. Falta um envolvimento maior dentro de um projeto estratégico.

Sobre essa questão da comunicação, indico um post de mais um dos novos integrantes do F&N, o jornalista João Carlos Assumpção:

http://futebolnegocio.wordpress.com/2009/01/24/controle-da-informacao/

Abs,
Marcos
Marcos, gostaria de ser colunista do F&N. Este ano pretendo lançar um livro sobre Relações Públicas no Futebol e Gerenciamento de Crises.

O texto do João Carlos, talvez por ser jornalista, focou apenas um importante público: a imprensa.

Os públicos com os quais os clubes de futebol se relacionam são inúmeros. Vejamos, vou citar o caso do Flamengo: FIFA, Comenbol, CBF, FERJ, STJD, Sócios, Torcedores, Atletas, Funcionário, familiares de atletas, familiares de funcionários, alunos das escolinhas, torcidas organizadas, torcedores que moram em outro estado, clubes rivais, governos estadual, municipal e federal, imprensa, patrocinadores, empresários e procuradores, comunidade, TV Globo etc.

É fundamental promover um relacionamento (algo duradouro ao invés de relação, algo não durável), ter metas, comprometimento.

O meio esportivo só conhece o marketing e o jornalismo esportivo, ainda não se deram conta da força das Relações Públicas.
Legal saber do livro e da sua vontade de participar do F&N.

O Robert, que foi meu professor na ESPM, participou bastante do blog antes de virar um colunista fixo.

Vamos aguardar a repercussão desse seu primeiro texto, ok?

Não que dependa disso, mas preciso fazer alterações e inclusões no F&N com algum critério.

Enquanto isso, vamos manter contato.

Abs,
Marcos
Olá Rodrigo, td bem?

Sou formado em Relações Públicas e concordo totalmente com seu texto.

Os clubes brasileiros vivem no modismo do marketing sem saber realmente o que estão fazendo, simplesmente criam produtos sem trabalhar um correto gerenciamento da marca, no qual devem ser agregados valores como identidade e imagem organizacionais.

Gosto da idéia do livro, e me coloco à disposição para ajudá-lo.

Abraço.
Ricardo,

fico feliz em saber que há outras pessoas formadas em Relações Públicas dispostas a trabalhar no meio esportivo.

Parte da culpa pelo modismo do marketing esportivo é da imprensa pois os jornalistas esportivos não sabem diferenciar o que são práticas gerenciais, o que é marketing esportivo e muito menos Relações Públicas. Outra parte da culpa é dos Conselhos Regionias de RP que são pouco atuantes. Exemplo, a atividade de Ouvidoria, de acordo com a legislação, só pode ser feita por um profissional de RP. Te pergunto: O Conselho Federal de RP fez alguma vistoria na CBF para saber se os ouvidores dos campeonatos brasileiros são profissionais de RP? E olha que isso era o mínimo que deveriam fazer.

Quanto ao livro, agradeço sua ajuda, mas ele está praticamente pronto pois foi minha tese de conclusão de curso na Uerj.

Abços
Rodrigo e amigos,

O texto sobre Credibilidade inaugurou nesta quarta o quadro "A Vez do Leitor" lá no Futebol & Negócio.

Convido vocês a passarem lá e ajudarem a promover o debate com os demais leitores do blog:

http://futebolnegocio.wordpress.com/2009/02/04/a-vez-do-leitor-cred...

Abs,
Marcos Silveira
Olá Rodrigo! Ótimo convite para discussão.
Sou jornalista e creio na cooperação proativa de todos os setores responsáveis pela comunicação e apresentação da marca e do cliente à sociedade. Assim penso que Relações Públicas, Assessoria de Imprensa e Marketing devem ter em mente que só em consonância poderão ser eficientes na transmissão dos valores defendidos.
E respondendo a sua pergunta, acredito que a credibilidade é o status desejado por qualquer profissional/empresa de verdade. E para conquistá-la acredito nas palavras-chaves "transparência" e "seriedade". Pode parecer eufemismo, mas não é, um caminha lado a lado com o outro. Uma gestão transparente e séria tem tudo para ter credibilidade.
Pense nisso, como sabemos que uma pessoa é educada? Através do comportamento dela. Alguns indícios de boa educação: falar bom dia, por favor, obrigado, ceder o lugar no transporte para idosos, deficientes e gestantes, etc.
Com as instituições acontece da mesma forma. Um clube terá sua credibilidade comprovada em seus comportamentos. Exemplos: pagar salários em dia, os dirigentes não se comportarem como torcedores, não ceder a pressão de torcidas organizadas, não bater boca via imprensa, fornecer dados a imprensa e aos sócios etc.

lembre disso, o comportamento comunica.
Com toda certeza.
E é bom que aos poucos nós consumidores temos nos atentado a isso. Quem anda pelo interior, percebe que essa é uma atitude ainda distante da realidade, mas a medida que os meios de comunicação reforçam críticas/elogios ao comportamento de empresa e instituições, e incitam a atitude dos consumidores, as coisas vão se modificando.
O tempo do consumidor calado, que aceita ser passado pra trás está sendo trocado pelo consumidor que exige um comportamento exemplar. Há ainda muito a ser feito, muito mesmo, mas é inegável que as percepções já não são mais as mesmas de 20 anos atrás.

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