Gestão e Marketing Esportivo

por João Henrique Areias

09/02/2009 - 17h33
Tênis repete experiência do basquete e terá coordenador à distância
Fernando Narazaki
Na Costa do Sauípe (BA)


O tênis e o basquete foram esportes que fizeram brasileiros campeões, viveram bons tempos, mas agora andam esquecidos e um pouco distantes da elite mundial. E neste momento as duas modalidades apostam em uma estratégia muito parecida para reviver as glórias.

Nesta segunda-feira, a Confederação Brasileira de Tênis (CBT) apresentou o espanhol Emilio Sánchez como o novo coordenador do tênis nacional. Ele será o responsável por liderar o projeto em todas as esferas da modalidade, e inicia o seu trabalho já nesta semana durante o Aberto do Brasil, na Costa do Sauípe.

Sánchez assume o cargo pouco mais de dois meses após ser o capitão da Espanha na conquista do título da Copa Davis. Mesmo sem contar com Rafael Nadal, então lesionado, os espanhóis superaram os argentinos, atuando em Mar del Plata, e levantaram a taça pela terceira vez. Na ocasião, os jornais locais apontaram Sánchez como um dos principais responsável pela conquista ao lado de Fernando Verdasco, que deu dois pontos ao país.

Antes de ter sido capitão, o espanhol ficou entre os dez melhores do mundo como jogador na década de 1980 e início dos anos 1990. Ele tem 15 títulos de simples, cinco a menos que Gustavo Kuerten, e posteriormente criou uma academia ao lado dos irmãos Arantxa Sánchez-Vicario, ex-número um do mundo, e Javier Sánchez, na qual já passaram grandes nomes do tênis como Ana Ivanovic, Martina Hingis, Conchita Martinez e Rafael Nadal.

Porém, apesar do currículo respeitável, Sánchez evitou falar diretamente de seu projeto e não quis especificar prazos. Ele também adiantou que ficará pouco tempo no Brasil e coordenará o trabalho da Espanha, onde deve permanecer na gerência de sua academia. "Vou estar aqui nesta primeira semana. Faremos um estudo e depois veremos como serão as nossas vindas, dependendo do planejamento. Eu devo vir uma semana, voltar, ficar outra semana e coordenar", explicou.

Assim, o tênis se torna mais uma modalidade a apostar no trabalho à distância e, ironicamente, com um espanhol no comando. O basquete masculino tem o técnico Moncho Monsalve há quase dois anos, e o handebol teve Jordi Ribera (seleção masculina) e Juan Oliver (seleção feminina) no último ciclo olímpico. Porém, o Brasil amargou mais um ano fora das Olimpíadas no basquete, e viu o handebol piorar de posição nos Mundiais de handebol.

O próprio presidente da CBT, Jorge Lacerda da Rosa, admitiu que não há uma definição sobre como será o trabalho de Sánchez. "Em um primeiro momento, ele fará uma consultoria, fará um diagnóstico e definirá o tratamento. Ele deve vir aqui de vez em quando", disse o mandatário da entidade, que afirmou que o trabalho pode ser rompido já na próxima semana, caso Sánchez não fique satisfeito com a avaliação que fizer. "Mas isso não ocorrerá, pois ele já sabe o que temos e como fazemos as coisas", apontou.

Sánchez minimizou também o fato de não ficar no Brasil permanentemente, e acredita no êxito da empreitada. "A ideia é formar uma equipe no Brasil, usar os recursos próprios e aglutinar todos em uma mesma filosofia. Não há um limite para o nosso trabalho e estou muito otimista. Creio que o Brasil é um país com muito potencial e podemos fazer um grande trabalho", destacou.

Mesmo nesta semana, o espanhol ficará apenas até esta terça-feira na Costa do Sauípe. Depois disso, ele deve participar de reuniões no Rio de Janeiro, em Brasília e em São Paulo, deixando o país no final desta semana. "Em três semanas, entregaremos os resultados e sentaremos para ver o que fazer. Será um trabalho a longo prazo, mas dependemos deste estudo para saber o que fazer", disse.

Se ainda não há um plano de ação totalmente definido, Sánchez deixou claro o seu objetivo. "Quero alta performance, seja no profissional, com os juvenis ou com as crianças que jogam tênis. Devemos buscar isso e também unir a todas as esferas do tênis", afirmou. Um discurso muito semelhante ao usado por seu compatriota Moncho Monsalve no basquete.

URL da notícia no UOL


Emilio Sánchez espera maior participação de clubes no tênis
Novo coordenador do tênis brasileiro sonha com a melhora da modalidade através dos clubes


Vídeo da coletiva de imprensa

Meu comentário:
O que ele falou tem extrema importância. Vi e vivi o que ele fala no Real Club de Tênis Barcelona que inclusive é a sede do ATP Tour de Barcelona. A Gestão que eles fazem lá é perfeita, as instalações sao utilizadas 100% do tempo útil. As escolinhas de tênis estão a todo vapor na España e o torneio da ATP trás muitos resultados positivos pro clube e pro esporte como um todo.

Tags: atletas, clubes, formação, tenis

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Respostas a este tópico

A grande questão que a Espanha é na Europa, é aquela velha discussão......vivemos num país subdesenvolvido, o tênis é um esporte caro ....o projeto é válido certamente, mas não se pode trazer um modelo e apenas implantar ele, a situação aqui é totalmente diferente.
Essa academia dele é justamente o trabalho feito no RCTB. Foi lá que o Nadal surgiu pro mundo e começou a ganhar tudo que tinha pela frente já na Costa do Sauípe ganhando o ATP do Brasil em 2005, seu primeiro título em ATP Tour. O que ele pediu é que os professores dos clubes sociais que tem o tenis como prática esportiva, dediquem seus tempos também a formar escolinhas e não somente dar aulas particulares. Será com esse esforço conjunto para formar jogadores, coisa que o Brasil perde por exemplo para a Argentina em número e qualidade de jogadores no tênis. No esporte brasileiro é tudo um problema de base, seja ele na gestão ou na qualidade da prática esportiva. Tem clubes que subutilizam suas instalações esportivas, não criam eventos ao longo do ano todo, somente uma época do ano, não incentivam escolinhas para formar jogadores aliada a CBT, etc.

O esporte é caro no mundo todo, mas pelo menos lá não necessariamente você precisa começar com material da Babolat, Head, Nike Tenis, Wilson, etc. Na loja, também existente no Brasil, Decathlon eles tem material para qualquer esporte das marcas próprias (marcas brancas) com tão boa qualidade para iniciantes e iniciados quanto material para experientes. Os preços chegam a ser 50% mais baratos com material de qualidade (raquetes a 30-35 euros, contra 80, 90, 100 das marcas top). Com certeza nao lesionará e nem vai interferir no desempenho do atleta o símbolo de uma Wilson na raquete. O talento nesse caso é o principal. E se eles fizerem uma jogada boa, podem fazer parceria com alguma empresa de material no Brasil para aliar-se ao projeto com os novos gestores do tênis brasileiro e formar jogadores nas escolinhas. Deve existir isso em outros lugares no Brasil, mas até quadras públicas de tênis (e na praia) nós temos em Salvador, Bahia.

No Brasil temos de buscar um modelo nosso para tudo, mas ele já vem com uma coisa importante: benchmarking. Não vai precisar que o Brasil vá lá, porque espera-se que o Sanchéz já traga toda tecnologia de gestão esportiva vivida e criada por eles e adaptar na realidade brasileira que com certeza é capaz de superar muitos dos bichos papões do tênis, nesse caso. As condições tem de ser criadas e pelo visto vao ser.
Boa tarde a todos; concordo com as considerações da Josiany, se fosse simples assim já teríamos tido resultado nos outros esportes nos quais importamos técnicos, etc.; a iniciativa é boa, porém não devemos esperar que o contratado faça milagres. O ideal era que a Confederação enviasse para a Espanha ou para outros centros algumas pessoas para que pudesse adquirir conhecimentos, estudar a estrutura existente, os meios de gestão; em fim, para se capacitarem; não seria um investimento muito caro e certamente contribuiria muito para o nosso desenvolvimento neste esporte.
Por maior que seja a capacidade e competência do novo cordenador do Tênis Brasil e ela sem dúvida é inquestionável; um trabalho tão iomportante quanto este, de reestrutuação e formação de novos talentos não pode ser capitaneado a distância. O gestor deste projeto tem que acompanhá-lo de muito perto bem como todos os envolvidos, que deverão sem excessão arregassar as mangas e se dedicarem de forma integral e exclusiva a esta ação, afinal de contas, praticamente o tênis no Brasil hoje está começando da estaca Zero. E outra coisa muito importante, este trabalho tem que ser desenvolvido nas comunidades mais carentes da sociedade, pois só o garoto pobre com poucas perspectivas de sucesso na sua vida sócio-econômica teria a disposição, coragem e perseverança de se aventurar a se lançar no circuito europeu com intuito de buscar uma mellhor colocação no ranking e para isso a principio se submeter a dormir em quartos baratos de hotel, andar de transporte publico e demais percalços, pois um playboy classe média que tem todo conforto em casa, uma empresa para herdar e toda uma infra-estrutura familiar não encararia tantos obstáculos, pois seria resgatado pela familia rapidamente ao invés de ficar ralando mundo afora.
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LAMENTÁVEL.

Tem gente que paga 300, 400 reais em um sapato/tênis/etc e nao paga 60, 80 reais num evento como este (mas paga num futebol). O bom do tênis é que vc paga pela rodada com muitos jogos num torneio ATP e nao por jogo como no futebol que dura somente 1h30min particionados. É um grande esporte, o tênis, assim como cada esporte tem sua magia.

Como que pode ter pouco público num evento com tantas estrelas e em uma cidade como o Rio? Por isso que TUDO de bom ocorre na Europa e nos países de língua Anglo-Saxônica. O Brasil nao tem cultura de outros esportes além do futebol, apesar de ser campeão mundial e olimpico no Volei e Mundial no basquete, nao esquecendo do atletismo, ginástica, natação, etc. Se nao tem pé, parece nao vinga aqui. As vezes penso que chega a ser um "erro cultural esportivo" o que se passa no Brasil. A potência olímpica está longe infelizmente e isso é MUITO triste porque acontece com muitos esportes além do tênis.

Essa falta de público com certeza é levada em consideração quando as empresas pensam em sediar eventos no Brasil (realmente aqui nao existe o Turismo Esportivo que tanto falo, tá difícil). Queria ter até ido ver o evento, mas o país nao me proporciona condições de deslocamento por falta de outra estrutura além do avião que ajudasse a baratear os custos de uma viagem. Pela falta de publico e outros fatores que é de se questionar se vale mesmo a pena ter instalações olímpicas se elas nao sao rentabilizadas e seus gastos amortizados com eventos como este que nao foi sucesso de público. sso também é Gestao Esportiva: eventos e instalaçoes esportivas sao temas de cursos fora do Brasil. Athenas e Sydney sediam eventos em suas instalações, mas imagina no Rio em 2016 se ganhar o direito de ser a sede, o que serão das instalações?. PREOCUPANTE! I

MUDA BRASIL!

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