Gestão e Marketing Esportivo

por João Henrique Areias um dos pioneiros do marketing esportivo no Brasil.

2 - A política no Flamengo e um novo modelo de gestão

A partir deste mês de Julho a política aquecerá o Flamengo. De 3 em 3 anos é a mesma coisa. O clube praticamente pára. Acusações de todos os lados tornam a imagem do clube mais negativa e dificulta a busca de parcerias com empresas, governo e com os torcedores.

Voltando ainda ao caso Patrícia Amorim x Márcio Braga. No final de janeiro deste ano, Márcio pediu o cargo à ex vice presidente de esportes olímpicos, porque ela declarou públicamente que ia se candidatar à presidência do clube. Por ser um cargo de confiança, não remunerado, contrariando o protocolo, ela não entregou e o Márcio a destituiu, criando um mal estar na sua saída.

Por compromissos eleitorais anteriores, Márcio deverá apoiar o atual vice presidente geral (eleito) Delair Dumbrosck. Daí a atitude política do Márcio, na final do basquete, ser incompreensível.

Outro momento que mostra que a política se sobrepõe aos interesses do clube, foi quando o governador Sérgio Cabral recebeu a equipe de basquete logo após a conquista do Sul Americano. Num jogo no Maracanãzinho, pedi à secretária de esportes Márcia Lins que agendasse a visita. Na véspera, soube que a Patrícia iria e o Delair, então na presidência substituindo o presidente licenciado, não gostou. Liguei prá Patrícia, já afastada de qualquer cargo no clube, e falei da minha preocupação com algum possível constrangimento entre ela e o Delair. Ela me tranquilizou, mas disse que era um momento político, num ambiente político e que como política ela deveria estar presente.

A meu ver, este modelo do dirigente voluntário caducou. Até os anos 70, quando este dirigente lidava apenas com sócios e torcedores, funcionou bem e criou grandes marcas como Flamengo e outros grandes clubes do esporte brasileiro. A partir dos anos 80, com a entrada em cena da TV e dos anunciantes, os clubes já deveriam ter buscado um novo modelo, mais adequado ao profissionalismo que a indústria do entretenimento exigia. Nos anos 90, surgiram os agentes de jogadores licenciados pela FIFA e os investidores como ISL (Flamengo e Grêmio), Nations Bank (Vasco) Banco Excel (Botafogo), Octagon (Atético-MG), Hicks Muse (Corinthians), etc, que investiram rios de dinheiro numa estrutura amadora. Não poderia dar certo, foram embora. Agora, estes agentes associados a investidores, são "donos" dos clubes, detendo a maior parte dos direitos econômicos dos atletas. Esta relação que poderia ser positiva, se os clubes fossem pró ativos, desenvolvendo seus próprios planos de negócios, tem sido desbalanceada e os clubes estão cada mais endividados. E este desequilíbrio não é só com estes "players". É também com a TV e anunciantes que negociam com dirigentes voluntários, despreparados, porque se dedicam a outras atividades e chegam nos clubes no final da tarde, porque não são remunerados.

No próximo post - Presidente por um dia.
JHAreias - 4/7/2009

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Comentário de Matheus Falconi F Vaz em 16 julho 2009 às 12:51
JH Areias,

Muito bem colocado esta postagem. Infelizmente como tudo no Brasil, o que impera e atrasa inúmeros projetos sérios são os interesses políticos, sejam na área da saúde, esporte, segurança e etc. Em relação aos clubes de futebol, tem este outro grande problema os "trabalhadores voluntários" dirigentes e etc, pensam muito com a emoção de um torcedor, além de ter os interesses pessoais e econômicos que envolve a corrupção nos clubes. Com certeza este novo modelo de gestão profissional é o correto e excêncial para o futebol, pois os clubes são empresas geradoras de grandes receitas e precisam destes profissionais experiêntes e competentes de cada área, marketing, finanças, comericial, rh e etc.
É triste ver a situação dos grandes clubes do Rio de Janeiro que já a muitos anos passam por esta crise financeira e longe de ganhar títulos importantes.
Outro exemplo de incompetência é no Atlético-MG onde o presidente Kalil declarou por inúmeras vezes que o dep de marketing não é importante, declinando esta área do clube. Só lamento!

Matheus Falconi, gestor esportivo. Formado em Publicidade e Propaganda na Puc-Sp e cursando MBA em Gestão de Mkt e Entidades Esportivas na Anhembi Morumbi em parceria com o Real Madrid.
Comentário de Guilherme Mallet em 15 julho 2009 às 5:52
O Império Otomano que comanda o Flamengo deve primeiro ser combatido politicamente, não há alternativas. Ou se cria um Movimento Político, ou o Flamengo continuará assim por anos.
Comentário de Leyder Edsel Andrade de Araújo em 14 julho 2009 às 22:53
Olha, concordo com o Igor, foi uma decisão politica sim, mas também chamo atenção ao que o João Henrique fala no texto acima.Derrepente pode ter sido mais um ato amadoristico deste presidente torcedor.Cansamos de ver grandes gols contra nosso time quando menos esperamos.Se for contar aqui passarei a noite inteira, basta lembrar a falta de memória ha alguns anos, quando o mesmo não sabia quem era TEVEZ, tevez marcou 3 vezes contra nosso time.A festa antecipada do título nos ultimos anos, etc...derrepente mais uma vez não pensou nas consequências que aquele ato poderia causar, perdemos o título e quase não ficamos na Libertadores. No ano seguinte, fizeram a festa para o Joel e sofremos um MARACANAZO, com o CABANÃS nos humilhando, nada mais que isso. Grande abraço em todos!!!
Comentário de Igor Beneze em 10 julho 2009 às 22:58
Acredito q o ato do Márcio Braga foi para tentar trazer a Patricia Amorin mais para perto da gestão dele, pois este movimento q ela esta tentando fazer para se tornar presidente do FLA deve ter mexido com ele. Sendo assim, ele viu uma brecha para dar um certo prestígio para a Patricia. Política é política né! Não vejo outra explicação para o ato q tanto gerou polêmica e problema para o FLA.
Comentário de João Palazzo Filho em 9 julho 2009 às 12:31
Peaaoal não somente o Flamengo mas todo esporte brasileiro precisa de mudança, eu particularmente não sabia que as pessoas que trabalham no Flamengo são voluntárias, meu deus tenho que rir para não chorar disso, isso é um pensamento típico do brasileirod e 3º mundo, pequeno, ridículo, pífio, etc etc. Porque os jogadores ganham milhões e os profissionais que fazem o clube ser um sucesso não ganham nada? Cada dia que eu vejo um coisa dessas onde impera o pensamento pequeno do brasileiro eu me decepciono mais um pouco com esse país.
Comentário de Alba Cobra em 8 julho 2009 às 12:03
Vou colocar aqui o post que coloquei na sua página no Flabasquete: Homenagem.
Homenagem mais do que merecida a João Henrique Areias e sua equipe e alguns eu tive o prazer de conhecer, Rômulo aqui em Brasília e Alexandre no Rio, além da foto que tirei com Areias no jogo 4, e de trocar algumas mensagens com a Bárbara. Não há palavras para descrever o trabalho incrível que essa equipe séria e extremamente competente desenvolveu aqui, em tão pouco tempo, demonstrando que uma gestão esportiva responsável e profissional é viável, e deveria ser adotada pelo Clube de Regatas do Flamengo. Aliás, não só o futebol carioca e de outros estados do país, mas o esporte no Brasil em geral necessitam de uma reformulação urgente, onde a cartolagem dê lugar a profissionais, gestores realmente preparados. A marca Flabasquete com suas camisas é um fenômeno (tenho todas e já encomendei a do Bi e a # 4), e mostra que a sustentabilidade de um clube tem que começar com sua própria marca, o que trará mais patrocinadores. Leonardo, atual técnico do Milan defende isso em sua entrevista nas páginas amarelas da última revista Veja (1/07/09) - ao ser perguntado como os clubes se sustentariam, e responde, "Com suas marcas, é claro. As fontes de renda de um clube são: licenciamentos, merchandising, venda de ingresso para torcedores e venda de direitos de transmissão para televisão. Se o clube melhorar sua gestão, tudo isso vai sair mais caro e, assim, render mais. Grandes empresas vão bater à sua porta para patrociná-lo..." Vejam o sucesso de público do NBB, o orgulho dos Rubro Negros em apoiar o basquete, em vestir a camisa, acompanhar os jogos... Eu sempre gostei de basquete, mas essa campanha maravilhosa desse time e o trabalho de Areias e sua equipe com certeza contribuíram para que eu pegasse um avião duas vezes só para acompanhar as finais no Rio, além de, é claro, ver os jogos aqui em Bsb, para onde me mudei no final de 1997. Não sou profissional do ramo esportivo, sou uma educadora e trabalho no Centro Binacional de Brasília(Bi-National Center), mas por isso mesmo acredito piamente que o país só tem um caminho: a educação, e a prática desportiva faz parte disso, está diretamente ligada a ela, na escola. O acordo com a HSBC Arena não só beneficia o nosso basquete, mas chama a atenção para o fato de termos construído espaços maravilhosos para o Pan que deveriam ser efetivamente utilizados para incentivar o esporte no país e não são. Finalmente a Arena passou a ser utilizada não apenas para shows, mas para o seu propósito original. E o Maria Lenk? E se o Rio sediar as Olimpíadas, como reverteremos os investimentos em benefícios reais para o esporte no país? A resposta para essa e outras questões, só gestores esportivos sérios e competentes como João Henrique Areias e sua equipe podem nos dar.
Deixo aqui meu muito obrigada como torcedora Rubro Negra apaixonada, e como uma cidadã brasileira que acredita que o país ainda pode dar certo.
Comentário de Deborah Ribeiro de Almeida em 7 julho 2009 às 16:43
João, a falta de visão de marketing e política do Flamengo é absurda, assim como a impáfia de muitos que tentam fazer com que todos os demais acreditem que entendem do business, quando na verdade, se submetem como vermes ao esquema interno em nome do salário de quatro em quatro meses. O mesmo caminho que vc tomou eu trilhei quando optei por trabalhar nos Jogos Panamericanos. Infelizmente, o dono do meu apartamento, além de vascaíno, não admitia esperar pelo pagamento do aluguel em nome do time rubro-negro! Qdo, assim como vc, passei a deixar claro para a comunidade do esporte a realidade transparente do que ocorre dentro das salas da Gávea, alguns cidadãos da trupe rubro-negra, da pouca farinha meu prão primeiro, fez uma pressão para que eu me calasse via um jornal carioca onde eu tinha um blog em 2007. Como não sou profissional de aceitar repressão, fechei meu blog no jornaleco para o qual escrevia de graça e abri o sport marketing. As retaliações não pararam por ai. Um idiota que trabalha no marketing do clube, tentou me difamar em uma comunidade do orkut publicando declarações que certamente lhe custariam uma boa grana, caso eu colocasse um processo de danos morais neste coitado que vive na sombra do Flamengo e do salário da esposa! Só não coloquei oprocesso, pq a comunidade rubro-negra fez comentários no tópico que foram de encontro com o que ele esperava, ou seja, o coitado não teve a mínima audiência e a maioria dos torcedores aproveitou para criticar no mesmo tópico o marketing do clube e a gestão! Ao Flamengo eu agradeço profundamente o sucesso do meu blog sport marketing (www.sportmarketing.com.br), onde ali, nenhum ex-presidente do clube e 'diretor' de jornal poderá tentar retaliar a liberdade de expressão e de imprensa garantidas pela Constituição. Vale apenas a lembrança histórica que se até o Império romano caiu, o resto é apenas uma questão de tempo e paciência. Isto eu tenho de sobra!
Comentário de Leyder Edsel Andrade de Araújo em 5 julho 2009 às 15:23
João,
tenho certeza de que é um cara correto e grande profissional.O que falta ao mengo é pessoas sérias e comprometidas mais com o clube que com seus proprios interesses.Infelizmente onde existe politica existe esse tipo de situação.Só espero que o mengo não perca profissionais como você por estes motivos. Grande abraço!!
Comentário de Diego Peralta em 5 julho 2009 às 14:20
Boa, João!
Não há gestão que sobreviva sem metas e riscos.
O Flamengo não precisa de favores de ninguém. Precisa de pessoas que trabalhem porque são remuneradas pra isso e fazem do seu cargo a sua vida.
Além disso, precisa de uma estrutura gerencial com responsabilidade econômica e fiscal, e de resultados. A saída é a criação da empresa ou profissionalização do clube. As pessoas que lá trabalham têm que respirar Flamengo, no mínimo 8 horas por dia e se fizerem com pouco competência suas tarefas e compromissos devem ser demitidas.
E não há jeito de mudar sem que as pessoas que coloquem o Fla à frente de tudo participem dos movimentos políticos. A principal barreira é o valor do voto... Um título custa 6k! Algumas vezes maior que a renda média do torcedor rubronegro. Mas com planejamento, alguns de nós pode ser a voz dos 35 milhões!
Juntem suas moedas, tenham a compra do título como uma conquista, economizem e vivam um sonho de ver o Fla melhor. Eu tô juntando as minha economias para em breve comprar meu título! E poder fazer minha parte na reconstrução do meu grande amor da minha vida!
Abraço a todos!
Diego Peralta
Presidente do Fla em 2028
Comentário de Cissa Costamilan em 5 julho 2009 às 13:33
João. está mais do que escancarado que o Flamengo precisa de mudanças. O Flamengo precisa de você. Vamos mudar essa história !!!! Vou criar uma comunidade Areias para presidenete!

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