De Flavio H Souza
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| Flamengo em 5º lugar. Como? |
Ontem, dia 30/07, estive no interessante Seminário de Marketing do Planeta Fla, grupo de campanha do Ronaldo Gomlevsky para presidência do Flamengo. Em um evento que durou cerca de 2 horas e meia que se propunha a discutir sobre os rumos do marketing do Flamengo no futuro. O curioso é que compareceram personalidades que seriam rivais da chapa do Planeta Fla, como Lysias Itapicurú,que já se lançou candidato a presidente, e até mesmo, pasmem, Helio Paulo Ferraz. Este não fiz contato visual mas foi citado no evento como estando presente. O que me causou muita surpresa, afinal, ele é nada mais nada menos que o vice-presidente geral da Patricia Amorim, cuja administração de marketing é sabidamente uma das piores já vistas e que, infelizmente para nós flamenguistas, procura a reeleição. Outro que esteve presente foi Marcos Braz distribuindo os santinhos de praxe de sua campanha a vereador. Com certeza mais nomes deveriam ser citados aqui pois felizmente o Flamengo possui vários de destaque em sua histórica política e administrativa que estavam presentes no evento.
Ronaldo abriu o evento no Teatro Leblon convidando 4 nomes a comporem a mesa: Marcos Felipe Magalhães, Dov Kamenetz, Miguel Caliero e João Areias. José Maria Sobrinho, coordenador da campanha do Planeta Fla, falou em seguida explicando que pretendem apresentar e discutir problemas graves do Flamengo tais como:
- Mudança de Estatuto
- Autonomia do Futebol
- Marketing
No dia 22 de outubro terá um seminário específica para tratar de "Modelo de Gestão" e no dia 19 de novembro outro seminário para tratar da "Autonomia do Futebol".
Como foi mais uma sequencia de palestras sem maior espaço para perguntas e conclusões creio que o termo "Seminário" parece meio inadequado, no entanto reiteraram que a platéia deveria aproveitar as palestras para enviar suas sugestões através do site do Planeta Fla
www.planetafla.com.br .
Primeiro falou Marcos Magalhães, escolhido como Moderador. Sempre didático mostrou como o marketing deveria ser aproveitado no Flamengo. O marketing deve e pode criar valor e no caso de um clube como o Flamengo, ou se faz o marketing do esporte ou faz o marketing através do esporte. Deve-se ter estudos para valorar o produto, verificar onde está disponível e formas ótimas de comunicação. Devido ao tamanho e abrangência de sua torcida 45% do valor da marca do Flamengo vem da parte dela. Por isto é que um clube como o Flamengo não pode abandonar a torcida como faz nesta e outras administrações. Marcos disse que o Flamengo, sendo um clube de perfil poli-esportivo não tem porque fazer do futebol a única atitividade que carrega todas as demais. Assim como o clube Minas Tênis e Pinheiro, que arrecadam de 35 a 40 milhões por ano para seus esportes olímpicos, o Flamengo tem condições de fazer igual e libertar o clube desta futebol-dependência. Aproveitar recursos da Lei Piva, fazer convênios e negociar patrocínios específicos. Marcos deu exemplo do Boston Celtics, clube com grande estrutura comercial, que chega ao ponto de estar na Bolsa de Valores, e no entanto mantém a camisa limpa enquanto faz n parcerias comerciais diferenciadas com empresas que fazem parte do ciclo de negócios em que o Boston participa.
Ótima palestra. Muito aplaudido. Ficou evidente para mim o quanto o Flamengo é atrasado com uma estrutura de marketing menor e amadora. Deixamos de arrecadar horrores e esvaziamos o poder da marca Flamengo com isto prejudicando nosso futuro. Quem quer que seja o próximo presidente tem que criar uma estrutura profissional com os melhores do mercado. Se não sabe como fazer contrata uma agência de marketing confiável e segue em frente cobrando resultados. Como está é um crime a todos nós, flamenguistas.
Pois bem, seguindo a próxima palestra do Dov Kamenetz. Este senhor respeitável falou da importância dos canais de comunicação do Flamengo em que insistiu que uma revista do Flamengo seria uma boa oportunidade para isto ao mesmo tempo citando que Jornal dos Sports e Placar estavam acabando. Ora, junte as pontas, caro Dov , revista do Flamengo também seria algo anacrônico hoje em dia, me desculpe. Depois em um salto de assunto Dov falou da importância de ter um estádio próprio. Concordo, mas infelizmente historicamente o Flamengo sempre esnobou o assunto. Pagaremos muito caro por isto no futuro.
Em seguida Miguel Carrielo, gerente de marketing da Som Livre, que já trabalhou com marketing esportivo inclusive no Flamengo onde cuidou da campanha das pulseirinhas do "Conte Comigo Mengão" (em que teve que ser avisado por alguém da platéia que a campanha não foi iniciativa dele e sim de uma comunidade de orkut , que depois o Flamengo assumiu) onde informou que com pouco tempo para trabalhar na campanha e sem canais de distribuição mesmo assim conseguiu um lucro líquido de mais de 500 mil reais. O que mostra o potencial explosivo da marca Flamengo quando a torcida "compra" a idéia. Mostrou dados interessantes: Flamengo possui 22 milhões de torcedores fora do Rio e 7,5 milhões de torcedores no Rio, com 18,7 bilhões de estimativa de renda deste pessoal, com um potencial de compra de 288 milhões/mês (!). Discorreu sobre os contratos de imagem que o Flamengo usa para reduzir impostos mas deveria efetivamente usar para alavancar receitas, mostrando os jogadores em eventos pré e pós-jogo em escolinhas, embaixadas, etc promovendo e cativando clientes em escolinhas e workshops pelo país. O jogador com contrato de imagem ficaria a mercê obrigado a se expor para o bem financeiro da Instituição. Então tem que usar isto.
Depois falou Areias, sempre lúcido, em que discorreu sobre o licenciamento de marcas e de sua experiência dentro do clube, principalmente em 2009 com a criação da Fla-Basquete em que literalmente salvou a equipe que estava há 4 meses sem receber para ser campeão da NBB. Criticou o fato que o Flamengo não cuida de seu licenciamento e há vários "rivais" como camisas, acessórios de torcida, etc que deveriam ser cuidadas pelo Flamengo através de um "Selo" em comum. As torcidas ganhariam com isto pois venderiam produtos associados oficialmente ao Flamengo. E o clube, ao cuidar de sua marca, não deixaria "qualquer um" vender produto a bel prazer até mesmo com qualidade duvidosa. Disse que a Disney possui um setor de licenciamento rigoroso e que o Flamengo poderia criar uma política não tão rigorosa mas o suficiente para funcionar no mercado brasileiro.
No Final do Evento o microfone foi monopolizado pelo Conselheiro Sansão que não deixou espaço para os demais fazerem perguntas. Ronaldo Gomlevsky encerrou o seminário e acredito que todos deixaram o evento preocupados com a gestão atual e sua condução do Marketing ao mesmo tempo esperançosos em relação ao futuro porque há pessoas que pensam no Flamengo não como um clube de bairro, mas como uma Instituição Poderosa que precisa ser o mais profissional possível.
Flavio Henrique Souza é Consultor/Gestor de TI , sócio-proprietário do Flamengo e faz parte do grupo SóFLA, Sócios pelo Flamengo
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