Gestão e Marketing Esportivo

por João Henrique Areias

Por: Sergio Henrique



O Brasil é o país onde a criança já nasce enrolada na bandeira, do time de coração do pai, e também onde durante uma partida de futebol surgem pedidos de casamento e convites para apadrinhamento de crianças, feito após vitórias históricas. As receitas com o futebol ainda não se esgotaram, mas as vendas de ingresso, dinheiro de patrocínio e da venda de jogadores já não fecham mais a conta dos clubes. Como alternativa para criação de novas receitas, surge o licenciamento das marcas, que ainda não é explorado com a atenção que merece, mas tem um enorme potencial para se desenvolver.

Licenciamento é o segmento do marketing dos clubes, que tem como principal objetivo manter a qualidade e a integridade dos símbolos do clube, e as liberando para a troca de um determinado valor de royalties (percentual recebido pelo clube, com valores que variam entre 8 e 15% no preço do produto). Para os clubes, essas receitas são excelentes, pois as empresas licenciadas cuidam da produção e da venda, assumindo as despesas.

Fora do Brasil, possuímos grandes exemplos de licenciamento de marcas, como no caso dos nossos vizinhos argentinos: - C. A. Boca Juniors, o clube investe em diversas linhas de produto: O visitante pode conhecer o museu, fotografar junto aos troféus da galeria, conhecer o estádio, adquirir vinhos, relógios e camisas variadas, aprender Tango e passear de táxi com a cooperativa ligada ao clube. Tudo com o selo de qualidade do clube. Os números são tão impressionantes que seus profissionais foram prestar uma consultoria para os dirigentes do Colo-Colo do Chile, time com mais títulos e maior torcida do país, além de estarem estudando a abertura de uma filial do clube nos EUA, na intenção de divulgar ainda mais sua marca para o mundo.

Na Europa, temos muitos casos de sucesso, mas gostaria de citar esses dois:

O Barcelona, um dos campeões de venda, possui um dos museus mais visitados do continente, impulsionando as vendas de sua loja oficial que fica ao lado. Mesmo fora do dia de jogos aonde o faturamento pode triplicar;
O Schalke04 da Cidade de Gelsenkirchen, na Alemanha está entre os 10 clubes mais ricos. A minúcia é que a cidade tem uma população pequena (cerca de 300.000 habitantes), mas o clube ultrapassou as fronteiras e possui uma das maiores torcidas do país, mesmo não sendo campeão nacional desde a década de 1950 ; as suas vendas de produtos licenciados não param de crescer.
A realidade em nosso país é outra. O torcedor brasileiro tem por hábito, apenas, comprar a camisa de jogo do time. Mas nem todas classes de torcedores possuem naipe de amortizar uma importância de cerca de R$150,00. E com o licenciamento e a divulgação restritos, os chamados “produtos piratas” ganharam destaque no comércio informal. Por esses motivos, muitos clubes finalmente atentaram para esse mercado, e começaram, aos poucos, a contratar profissionais específicos de marketing, disseminando a idéia de que, para ajudar o time, não basta obter o uniforme do clube, mas, do mesmo modo, bonés, chaveiros, itens para o lar, e até mesmo, serviços.

Sinais de que já se pode observar o princípio do profissionalismo no setor. Apesar de ainda engatinharmos nas questões de licenciamento, ações têm sido desenvolvidas:

S. C. Internacional e C. A. Paranaense, no intuito de coibir a pirataria,criaram uma linha de produtos populares ; fizeram parcerias com empresas e com os ambulantes, que antes, vendiam os produtos ilegais. Outra forma de combater esse comércio ilegal, foi criada pelo S. C. Corinthians, que possuía uma loja móvel em todos os jogos do time em SP (nada mais do que um pequeno caminhão adaptado);

Em São Paulo, foi fundado o G4, união dos quatro grandes clubes do estado (S. E. Palmeiras, São Paulo F. C., S. C. Corinthians Paulista e Santos F.C.) visando melhores contratos e a negociação simplificada dos produtos licenciados desses clubes. O grupo ainda ajudava na identificação de melhores pontos de vendas, empresas, parceiras e novos mercados.
Entretanto, desde que o São Paulo F. C. assinou com uma empresa especializada para cuidar de seu licenciamento, o grupo foi perdendo força e voltaram a negociar sozinhos seus contratos.

Outro bom exemplo: Focados na fidelidade e no apoio passional, no ano em que disputou a Serie B e foi campeão, o Atlético-MG viu crescer as suas vendas de produtos oficiais, o que culminou no lançamento da Camisa 12, em homenagem ao seu torcedor. O seguinte destaque, aconteceu durante o Campeonato Brasileiro de 2007, quando o Flamengo, em uma “arrancada” espetacular, pulou da “zona de rebaixamento” para o terceiro lugar da tabela classificatória. A euforia foi tanta, que além de quebrar diversos recordes de público, foram lançadas duas camisas: uma com trechos de uma música cantada pela torcida, e a outra, com o número 12, também em homenagem aos torcedores. Ambas se tornando estrondo de vendas.

Torcedor: Independente do momento em que seu time esteja estagnado, continuamente prefira os produtos licenciados. Além de gerar empregos, você estará protegendo novos investimentos nas divisões de base, e futuramente, inclusive na contratação de craques. Demande da diretoria do seu clube, opções de compra de produtos. Aos dirigentes, organizem um calendário promocional para o decorrer de todo o ano; criem ou aprimorem as facilidades para o acesso dos torcedores (variedade, entrega em casa, brindes, parcelamento do valor, etc.) , e apresentem, constantemente, produtos de acordo com o perfil de seu torcedor.

O Futebol Brasileiro agradece.

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