Gestão e Marketing Esportivo

por João Henrique Areias

Nós Somos a Mina de Ouro por Arthur Muhlenberg

sex, 21/08/09

Talvez seja pelo achatamento do mundo, talvez seja o fenômeno Internet, mas nunca a torcida do Flamengo esteve tão ligada numa eleição no clube como nessa que vai rolar em dezembro. E o que é mais assustador para os tradicionais detentores do poder no clube: as tecnologias que conectam as pessoas fizeram com que, em tempo real, a opinião de um rubro-negro vivendo em Altamira- PA e que nunca foi ao Maracanã tenha tanto ou mais peso e consistência quanto a de qualquer flamenguista que não perde um treino na Gávea. Se o Flamengo não se adaptar a essa nova realidade vai ficar pra trás e será inapelavelmente ultrapassado por clubes de menor expressão no top of mind do futebol brasileiro.

Já disse um milhão de vezes que não quero ficar falando da eleição do Flamengo aqui no Urublog, por ser um assunto essencialmente chato e que, estatutariamente falando, só diz respeito aos 6 mil eleitores. É evidente que na vida real não é bem assim. O crescente interesse por esse tema, mesmo entre os mais alienados dos nossos torcedores, é mais uma prova de que o Flamengo não pode mais se encerrar atrás dos muros da Gávea. O Flamengo tem que ultrapassar aqueles muros e se expandir em todas as direções para estreitar cada vez mais o contato com a torcida. Somos uma Nação e precisamos ser governados como tal.

Temos no pleito, até agora, 7 candidatos declarados: Patrícia Amorim, Pedro Ferrer, Eider Dantas, Lysias Itapicuru, Plinio Serpa Pinto, Delair Dumbrosk e Clovis Sahione, e um até agora apenas especulado, Humberto Motta. Alguns eu conheço, outros não, mas isso não tem a menor importância na hora de decidir o voto. Primeiro porque no Flamengo são muito poucos os atores políticos, é impossível que você não tenha sempre alguns amigos ou conhecidos em chapas concorrentes. Segundo porque, pelo menos pra mim, já passou o tempo de votar em pessoas, eu quero votar em projetos administrativos de medio e longo prazo. Porque as pessoas passam e o Flamengo permanece, no fim é só isso que importa.

Quem vai ganhar essa corrida eu não sei. Ainda nem escolhi meu candidato, mas tenho um palpite que o vitorioso será aquele que responder da maneira mais correta a questão ideológica fundamental para a Nação Rubro-Negra. Quem é o dono do Flamengo, os sócios ou a torcida?

O candidato que for capaz de responder a essa questão com um projeto de profissionalização da gestão do clube já tem meio caminho andado. E se o projeto for racional, exeqüível e atraente para o mercado as suas chances aumentam. Todo mundo sabe que o eterno problema financeiro do Flamengo é igual ao do capiau que passava fome roçando uma hortinha miserável em cima de uma rica mina de ouro. O Flamengo não pode se contentar com essa agricultura de subsistência, precisa se voltar para a torcida. Nós somos a mina de ouro.

Só com uma violenta ruptura do modelo administrativo de amadorismo profissional que nos trouxe até o buraco é que temos alguma chance de voltar a crescer. Se permanecermos com esse arranjo de executivos amadores não remunerados tendo que negociar com tubarões de Wall Street com sucess fees milionários o Flamengo vai sempre se dar mal. Estou convencido que para a plena exploração do potencial de consumo do grande mantenedor, que é a torcida, e a devida proteção ao patrimônio do Flamengo (as marcas, as sedes, as tradições e os ritos), das quais os sócios são os legítimos guardiões, a profissionalização é imperativa.

A eleição é só em dezembro e até lá muita água vai rolar. Vai ter coligação, desistência e sabe-se lá mais o que. Estaremos atentos aqui do nosso ponto de observação, por enquanto, na neutralidade dos sem candidato. Conforme eu ficar sabendo de novidades vou contando pra vocês. Enquanto isso, pra ficar ligado nas fofocas da eleição, me siga no twitter, que é um veículo de expressão mais pessoal em que eu posso escrever palavrão sem stress.

Acesse o blog do Arthur - Nós Somos a Mina de Ouro

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Comentário de Guido Ferolla em 23 agosto 2009 às 21:03
Como Rubro-Negro e ciente dos problemas que estão acontecendo no clube torço para uma ruptura com o atual cenário. Desejo o fim desses diretores e vices que parecem que tem cargos vitalícios no clube e às vezes até hereditários.
Tem que ser alguém novo, alguém que quer fazer diferente e tem um mínimo de inteligência pra saber que projetos vencedores não precisam de resultados imediatos. Alguém que suporte a pressão da torcida e não mude as suas convicções só para agradar. Quando alguém descobrir esse candidato me fale porque o seguirei até colocarmos alguém merecedor de ser presidente do Flamengo.

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