por João Henrique Areias um dos pioneiros do marketing esportivo no Brasil.

Maior jogador de futebol de todos os tempos, Pelé também é um craque quando o assunto é arrecadar. Segundo o jornal italiano "Corriere dello Sport", Ele não aceita nenhum contrato de publicidade com valor inferior a R$2 milhões, e a valorização de sua imagem rende mais de US$18 milhões (aproximadamente R$32 milhões) por temporada.
O valor, ainda segundo a publicação, é superior a jogadores badaladíssimos da atualidade como Lionel Messi, do Barcelona, Kaká, do Real Madrid, Zlatan Ibrahimovic, do Milan, e Francesco Totti, da Roma. Para uma empresa contar com os direitos de imagem de Pelé por 20 anos, tem de desembolsar algo em torno de R$609 milhões.
Pelé, que marcou 1,284 gols (em números oficiais) em 1.115 jogos com a camisa do Santos, expõe sua marca em países como Japão, Estados Unidos, Emirados Árabes Unidos e África do Sul.

"Édson, a sua marca é líder do segmento futebol, e só pode se associar a outras marcas líderes". Foi com essa frase que João Henrique Areias*, hoje diretor-presidente da SportLink Marketing Esportivo e coordenador de um grupo de discussão com 2.500 pessoas, deu início, em 1991, ao trabalho de criação da "Pelé Sports e Marketing" que hoje rende mais de R$ 30 milhões em contatos publicitários ao Rei do Futebol. "Ele é o Atleta do Século. A partir desta primeira conversa, passamos a ligar a imagem dele apenas a marcas de vanguarda, de topo", recorda.
Mas qual o motivo para que um ex-jogador de 70 anos, que não entra em campo oficialmente há mais de três décadas, consiga arrecadar mais do que astros como Lionel Messi e Kaká?
Segundo Areias, somente uma formação sólida e um comportamento digno podem manter uma pessoa e uma marca em evidência e intacta por tanto tempo.
"Só posso atribuir todos esses ganhos ao interesse das marcas líderes nele. O Pelé ultrapassou a fase do ídolo e virou um mito. Você só constrói isso com atitudes além do campo, o que é uma falha dos clubes brasileiros, que pouco se preocupam com a formação do cidadão. Basta ver o que aconteceu com o Flamengo, no caso Bruno, e com Adriano e Vagner Love. O clube tem que mostrar aos jovens que lá chegam a disciplina, mostrar os amigos e amigas que vão surgir e como combater essas facilidades que aparecem", analisa.

Pelé reproduzido numa campanha da Copa do Mundo da África, neste ano. Foto: Divulgação.
Intocável no esporte
Estudo recente mostra que as empresas veem Pelé como único, líder, sociável, prestativo, visionário e gentil. Em contrapartida, sua imagem não é tida como inovadora, divertida, diferente, sensual, atraente, nem encantadora. João Henrique Areias explica que os adjetivos em questão são todos positivos, e nem mesmo o fato de não ser "inovador" atrapalha no mundo publicitário, já que nenhuma marca precisa atender a todos os atributos.
"Cada marca tem suas características, a do Pelé é tida como simpática, mostra seriedade, um atleta limpo, força, rapidez e agilidade. Existem alguns atributos que realmente não se adaptam mesmo. O Pelé tem muitos atributos fortes, é a marca mais forte do mundo, ele se tornou quase um deus. Pelé é intocável no segmento esportivo", elogia o professor de marketing esportivo.
* João Henrique Areias foi diretor de marketing do Clube dos 13, vice de Marketing do Flamengo, onde também exerceu o cargo de vice de Esportse Olímpicos, e do Fluminense. Também dirigiu o marketing da Confederação Braisleira de Basquete (CBB) e escreveu o livro "Uma bela jogada - 20 anos de Marketing Esportivo"


Em 1970, Pelé já era craque, tricampeão do mundo, bicampeão do Mundial Interclubes e autor de mais de mil gols. Viveu o auge da carreira em uma época onde a exploração da imagem ainda era incipiente no futebol. O salário era pequeno (para se ter ideia, em 1962 ele recebia o equivalente a seis salários mínimos) e os ganhos com publicidade eram irrisórios. Mas o Rei soube trabalhar sua carreira e, hoje, na era do marketing, é dono de uma das marcas mais valiosas do mundo.
— Ele soube separar o homem Edson do mito Pelé e se manteve inatingível de qualquer episódio negativo — disse o consultor de marketing João Henrique Areias.
As cifras são impressionantes para um atleta que já se aposentou há mais de 30 anos. Pelé não sai de casa para participar de um evento por menos de R$ 2 milhões e recebe, anualmente, cerca de R$ 30 milhões com a associação de sua imagem a empresas e produtos.
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